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HISTÓRIA E ACERVO DA
MOSTRA AFRO BRASILEIRA PALMARES

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35º mostra 

Em 2020, o IMECAB (Instituto do Movimento de Estudos da Cultura Afro-Brasileira) apresenta a 35ª edição da Mostra Afro Brasileira Palmares Londrina. Devido a pandemia do Covid-19, haverá restrições para evitar a proliferação do vírus, como a exposição virtual em substituição da física. Isso não impede sua realização, mas a atualiza, reinventa e lhe ressignifica no atual contexto histórico e social.


   Ao se tornar virtual, a Mostra Afro Brasileira Palmares Londrina ganha a magnitude de museus como o Louvre (Paris), MASP (São Paulo) ou de Van Gogh (Holanda), que permitem a apreciação virtual devido a amplitude gerada pela internet. É raro o museu ou galeria de arte que não possui acervo virtual e, os artistas CaCosta, Agenor Evangelista, Jajá Belluco, o Coletivo Capstyle, José Frutuoso, Elifas Andreato, Nerival Rodrigues e André Severino, sendo este último um lançamento da mostra, terão a honra de expor a beleza de seus trabalhos e promover a igualdade racial ao mundo, via internet. Além disso, os trabalhos não estarão restritos ao período da mostra, mas permanente e constante, algo permitido no espaço virtual.  
   A Mostra Afro Brasileira Palmares Londrina inova ao permitir e dar alicerce ao desenvolvimento da igualdade racial via arte, debates e material virtual que atinge grupos sociais que não tem a oportunidade de ir a um salão de artes ou museu, mas que pesquisam o tema na internet. Além do mais, o trabalho do IMECAB e da Mostra Afro Brasileira Palmares Londrina vem de encontro com a lei federal 10.639/03, que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, além de ressaltar a importância de ambas na formação da sociedade brasileira. 


   Em 2020 Zumbi vive através da Mostra Afro Brasileira Palmares Londrina, no século 21 pós modernista guiado pela Era Digital da Informação e das novas tecnologias. Vamos lembrar, comemorar e celebrar a vida e história de Zumbi dos Palmares no mundo virtual e democrático, onde podemos construir ações que promovam a igualdade racial. 

ARTISTA da 35º mostra
ELIFAS ANDREATO

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Com mais de quarenta anos de atividade como artista plástico, Elifas Andreato é especialmente reconhecido como ilustrador de inúmeras capas de discos de vinil nos anos 70, incluindo grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Toquinho e Vinícius de Moraes.

 

O traço poético com profundo sentido social definiu os trabalhos de Elifas como um ícone de uma geração que protestava, por meio da arte, contra a ditadura militar vigente. Da geração do vinil, Elifas foi o maior capista, chegando a produzir a capa de 362 discos, com destaque para a “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, “A Rosa do Povo”, de Martinho da Vila, “Clementina de Jesus”, “O Sorriso Ao Pé da Escada”, de Jessé e “A Arca de Noé”, obra de Vinícius de Moraes. Elifas começou sua produção de capas em 1973, quando criou a do long-play “Nervos de Aço”, de Paulinho da Viola. Nos anos 70 também ilustrou obras da literatura brasileira, como “A Legião Estrangeira”, de Clarice Lispector. Além dos trabalhos genuinamente engajados, Elifas produziu e produz peças de grande qualidade artística, com projeção internacional e reconhecimento no mundo inteiro. Atualmente segue produzindo cartazes, gravuras e ilustrações, e é diretor editorial do Almanaque Brasil de Cultura Popular, revista distribuída a bordo das aeronaves da companhia aérea TAM, para assinantes e bancas. Compositor bissexto, desenvolveu importante parceria com o cantor Jessé e, em 2011, foi homenageado no Prêmio Vladimir Herzog, por ter sido perseguido na ditadura militar brasileira (1964-1985).

ARTISTA da 35º mostra
Nerival Rodrigues

Primeiro, ele faz o céu. Depois a terra, seus sulcos, as árvores, os frutos e, finalmente, os homens e mulheres que colhem aquilo que a natureza produz. Não se trata de uma parábola da Bíblia, mas da forma como o pintor Nerival Rodrigues realiza suas obras, principalmente as plantações de café, tema que já tratou em cerca de 500 telas. Ex-retirante, o artista possui telas no exterior, principalmente na Alemanha e no Japão, com imagens de plantações tipicamente nacionais, como café, abacaxi e a cana, além de temas folclóricos e alguns sobre temas urbanos. Nascido em Garanhuns (PE), em 1952, Rodrigues trabalhou na lavoura até os 16 anos e, desde os nove, na hora do almoço, embaixo de uma árvore, rabiscava com gravetos a terra que ajudava a sulcar. Mais tarde, passou essas imagens e experiências de infância para seus quadros. No início dos anos 1960, emigrou, num pau-de-arara, para São Paulo, passando por diversas cidades do interior. Nesse período, a vocação de Rodrigues para o desenho foi se expandindo com uso de carvão, caricaturas e o conhecimento de técnicas como guache e aquarela. Em 1968, ao ver a destruição do bosque do Parque D. Pedro, Rodrigues pintou seu primeiro quadro a óleo. Recebeu os primeiros elogios e continuou suas pesquisas estéticas. Foi graças ao grande amigo e intelectual Hélio Ribeiro, que deu os primeiros passos para expor, em 1973, na Praça da República, onde expôs durante dois anos, conhecendo pintores como Waldomiro de Deus e Maria Auxiliadora. Assim é arte de Nerival Rodrigues. Surge espontânea, rica e vinga com força, pois é desenvolvida com as melhores técnicas disponíveis. 

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ARTISTA da 35º mostra
José Frutuoso

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O artista plástico José Maria Frutuoso nasceu em 1958, em Santa Mariana (PR). Pintor, desenhista e gravador, ele reside em Londrina desde 1966. Autodidata, inicia sua carreira desenhando no intervalo das aulas do Ensino Fundamental, com o estímulo das histórias que apareciam nos livros. Frutuoso abandona os estudos para trabalhar, mas continuou buscando uma linguagem pessoal para sua arte. Em 1978, com os recursos que tinha a seu alcance, começou a desenhar rostos famosos, utilizando a intuição para desenvolver sua técnica. A partir de 1980, descobre novos caminhos e cria um estilo próprio de cores fortes e contrastantes, em desenhos a nanquim e óleo sobre tela, esta confeccionada artesanalmente. Ele então conhece o artista plástico londrinense Agenor Evangelista, que o coloca em contato com os outros artistas da cidade. A partir de 1987, Frutuoso inicia uma fase mais madura, na qual suas telas aparecem com mais interesse visual e obtêm maior complexidade. Paralelamente, trabalha como office-boy, auxiliar de prótese dentária e pedreiro e, seus temas mais recorrentes são as paisagens rurais e a figura humana, como camponeses, crianças e principalmente mulheres. “Meus modelos são, na maioria, mulheres que vejo, que imagino. É impossível falar de sensibilidade sem retratar a figura feminina. Acho difícil um artista pintar três telas sem retratar a mulher em pelo menos uma”, explica. Frutuoso também recebe algumas orientações sobre xilogravura de Paulo Menten, que se impressiona com a capacidade do artista. “Frutuoso guarda a inteligência aguda, o raciocínio rápido, a sensibilidade à flor da pele. A personalidade firme e marcante. O pintor procura-se formalmente. Desmancha as figuras, deforma não seria o termo, pois a atitude é consciente, procura a plasticidade como expressão. Está apalpando, conformando, fluindo um estilo”, citou Menten. Ele também afirmou que as obras de Frutuoso lembram pintores com os quais o artista jamais tem qualquer tipo de contato, como Jacques Villon, Leger e Clovis Graciano. Para Frutuoso, arte é sinônimo de liberdade. “A partir do momento que você sobrevive de alguma coisa, não há liberdade. O importante é viver pela arte e não viver dela”, pontua. 

ARTISTA da 35º mostra
André Severino

O artista plástico paisagista e aquarelista André Severino nasceu em Londrina, em 1988.

 

Discente em Artes Visuais pela UNINTER (Centro Universitário Internacional) de Guaratuba, ele já desenhava e após ingressar na graduação começou a se dedicar a aquarela. Iniciante na Mostra Afro Brasileira Palmares, André Severino já participou de outra mostra virtual, a Intervalo, promovida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), via Núcleo de Artes Visuais do Litoral Paranaense.

 

O artista é da nova geração que expõe e divulga trabalhos nas redes sociais, permitindo que tenha milhares de seguidores devido a amplitude da internet. Produzindo retratos de pessoas e animais, atualmente ele desenvolve uma coleção inspirada nas paisagens litorâneas paranaenses, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural do Estado do Paraná.  

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ARTISTA da 35º mostra
Jajá Belluco

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Jajá Belluco é um dos fundadores da Mostra Afro Brasileira Palmares. Além da pintura de telas, ele desenha, costura, faz cenários para peças teatrais, esculturas e ganhou prêmios devido a confecção de carros alegóricos para a Escola de Samba Zumbi dos Palmares.

 

Especialista no trabalho com fibra de coqueiro, o artista pinta em cima de colagens deste material, usando tons terrosos e vibrantes ligados a natureza. Aos 60 anos, Jair Monteiro nasceu em Santa Zélia (PR), em 22 de novembro de 1959. Nos anos 80 viveu dois anos no garimpo, onde ganhou e gastou facilmente o dinheiro do ouro. Jajá Belluco também observa que a mostra, através da temática afro, traz debates, música, artes variadas, culinária, além de fortalecer e criar a identidade cultural do negro em Londrina e no Paraná. Neste processo, segundo o mesmo, escolas e professores tem o papel fundamental de mostrar aos estudantes que a cultura transforma e faz pensar.

ARTISTA da 35º mostra
Agenor Evangelista

Agenor Evangelista, londrinense, considerado um artista popular devido à inserção em diversos movimentos sociais. “No início dos anos 80 militava no movimento negro e aderi ao Grucon (Grupo de União e Consciência Negra). Pesquisávamos a história e pensamento de ativistas como Martin Luther King, Malcom X, Ângela Davis e outros. Tínhamos informações sobre grupos, como a organização revolucionária norte americana dos Panteras Negras. Os militantes liam, discutiam e articulavam ações para chamar a atenção da sociedade acerca da desigualdade racial”, declara Agenor. Há 43 anos instalado no ateliê “Espaço de Van Gogh”, na Rua dos Coqueiros, sua obra usa cores primárias e reflete o cotidiano, cenas suburbanas como a mulher que lava roupa, trabalhadores conversando no bar, crianças brincando, imagens de bar e boemia, mulheres e algo diferente: dentro dos quadros, há imagens de obras autorais. 

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TIAGO AGU

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ARTISTA da 35º mostra
COLETIVO CAPSTYLE

    O Coletivo Capstyle surgiu em 2002 na Zona Norte de Londrina, numa conversa entre Tadeu Júnior (Carão), Hugo e Corneta, que se uniram para montar o coletivo voltado ao grafite. Não é a primeira vez que o Coletivo Capstyle participa da Mostra Afro Brasileira Palmares, sendo a estreia em 2010. Carão, que tem centenas de trabalhos espalhados pelas ruas de Londrina, tem obras na Argentina, Colômbia, Venezuela, França, Bélgica e outros países. Ele, que é tatuador, começou a fazer grafite após ser convidado para eventos e isso tornou o Coletivo Capstyle percussor do gênero em Londrina. Além de Carão, haverá trabalhos expostos do Alisson Corneta, Hugo Rocha, Tiago Agú e Eduardo Diniz, conhecido por Napa. “O grafite representa a democracia nas artes plásticas ao representar a periferia e o povo. Participar da Mostra Afro Brasileira Palmares nos dá a oportunidade de valorizar o negro, além de dar espaço e voz a nossa arte. Quanto a mostra ser virtual, ela cria a possibilidade de atingir pessoas que não tem a oportunidade de ir ao museu, além de levar a arte para palma da mão, junto a casa do público”, finaliza Carão.

Carão

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EDUARDO

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Alisson korneta

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Alisson korneta

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